Greve atravessa ano letivo em Nova Iguaçu e deixa quase cinco mil alunos fora de sala

Profissionais da Educação cobram do prefeito solução para atrasos de novembro, dezembro e metade do décimo terceiro Foto: Cléber Júnior / ...

Profissionais da Educação cobram do prefeito solução para atrasos de novembro, dezembro e metade do décimo terceiro Foto: Cléber Júnior / Extra
NOVA IGUAÇU - Cerca de 15 quilômetros separam Maria Eduarda Francisco Avelino, de 16 anos, da sala de aula. Moradora do bairro Valverde, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, ela vai cursar o 8º ano na Escola Municipal Monteiro Lobato, no Centro.

— Ainda não conheço o colégio. Estava ansiosa para voltar às aulas porque todos falam muito bem — conta a estudante.

Na unidade, assim como em outras seis escolas do município, o ano letivo ainda não começou. Ao todo, são 4.880 alunos fora de sala. Sem receber os meses de novembro, dezembro e a metade do décimo terceiro, os profissionais da Educação entraram em greve no último dia 2. Eles receberam a promessa do prefeito Rogério Lisboa de que uma proposta para o pagamento dos salários seria apresentada até o último dia 25, o que não ocorreu. Nesta quarta-feira, a partir das 8h, decide em assembleia se continua ou não a greve. Só na Monteiro Lobato, são cerca de 1.800 alunos fora de sala.

— Ficamos sabendo hoje (ontem) da greve. Saúde, educação e segurança não podem ficar em segundo plano — diz Rafael Gomes, de 34 anos, pai de Maria Eduarda e dos gêmeos Rafael e Rafaelle, de 11 anos, alunos do 6º ano.
Com os dois filhos matriculados na Monteiro Lobato, Nara aprova greve Foto: Cléber Júnior / Extra
Mãe de dois filhos matriculados também no 6º ano na escola, Nara Cristina de Souza, de 50 anos, se decepcionou ao saber da greve, mas se solidarizou com os profissionais.

— É triste ver que meus filhos estão sem aula, mas isso é um desrespeito com os professores que começaram no governo passado. Tem quem gaste três passagens. Como trabalhar e não receber?
Maria Auxiliadora com a filha Carla. Ela é especial e esrá sem aulas no Caiesp Foto: Cléber Júnior / Extra
No Centro de Ações Integradas Castorina Faria Lima (Caiesp), no bairro Monte Líbano, cerca de 190 alunos especiais estão sem aula. A dona de casa Maria Auxiliadora Caetano, de 66 anos, disse que as classes comprometem o desenvolvimento da filha, Carla Caetano, de 42 anos, que tem deficiência física e mental.

— A única vida que ela tem é a escola. Carla sente falta dos amigos; é uma diversão para ela. Agora estão dizendo que até o atendimento vai ser suspenso — reclama Maria Auxiliadora.

Terceirizados param nesta quarta-feira

Na Escola Municipal Monteiro Lobato, 21 terceirados da Empresa Iguaçu de Manutenção e Serviço (Eims) vão fazer uma paralisação hoje. São auxiliares de serviços gerais e porteiros que estão sem receber salário há dois meses.

— Vamos parar amanhã (hoje). Se não recebermos, segunda entraremos em greve — diz uma funcionária.

Segundo os terceirizados, também faltam materiais de limpeza para trabalhar. A Eims informou ao “Mais Baixada” que não recebe da prefeitura repasses desde 2014 e estava pagando aos funcionários com recursos próprios.

Também faltam materiais para os docentes.

— Percebo um descaso do governo em relação à estrutura. Dou aula de Artes na Monteiro Lobato e não tenho material para trabalhar. A escola não tem xerox nem telefone fixo. Os alunos já são prejudicados no dia a dia — desabafa o professor Bruno Bentolila.

Leia a resposta da Prefeitura de Nova Iguaçu

Dia 21 de janeiro, a Prefeitura de Nova Iguaçu pagou o salário de janeiro. No dia 30, pagou um terço das férias. Em 3 de fevereiro, pagou a metade do décimo terceiro. A outra metade será paga dia 20 de março. O salário de fevereiro será pago em dia. Para quitar os atrasados (novembro e dezembro), o município está buscando novas fontes de receita.

Todos os contratos da prefeitura estão sendo revistos e renegociados. Como o caso do fornecedor das máquinas de xérox (que custam para a Prefeitura R$ 30 mil por mês) e da empresa que presta serviço de limpeza. A Secretaria de Educação está fazendo um levantamento do almoxarifado de todas as unidades escolares, que desde 2015 não realizavam prestação de contas. A partir dos dados levantados, serão providenciados os materiais que faltam em cada escola.

Temos 139 unidades escolares e somente sete estão paralisadas. Isso significa 259 professores fora de aula e 4.880 alunos, dos 67.045, sem aulas. A rede municipal de ensino possui seis mil professores, ou seja, 5% aderiram à paralisação.

Via Extra
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Rogério Lisboa 8790771910125397531

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