Poço artesiano abastece os ‘sem-água’ de Caxias. Cidade tem 121 mil nessa situação

DUQUE DE CAXIAS -  Morando há 40 anos numa casa que divide com as duas filhas e os cinco netos pequenos, na Rua 9, em Campos Elíseos,...


DUQUE DE CAXIAS - Morando há 40 anos numa casa que divide com as duas filhas e os cinco netos pequenos, na Rua 9, em Campos Elíseos, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Neuza Santana de Souza , de 47 anos, nunca soube o que é ver água tratada saindo da torneira. O abastecimento da residência vem de dois poços artesianos: um do terreno vizinho, do enteado, e outro do seu quintal. Mas o líquido que sai de ambos é amarelado e tem cheiro ruim. Para matar a sede, o jeito é buscar água longe, três ruas acima, com um outro vizinho. São 15 minutos para ir e mais 15 para voltar. Com a possibilidade de venda da companhia, ela não crê que sua vida vá mudar.

— Aqui só tem água com fartura quando chove. Esqueceram da gente — reclama a moradora que no ano passado gastou cerca de mil reais com manilhas e cimento, para construir o poço com três metros e meio de profundidade, do qual retira a água com ajuda de uma corda e um balde improvisado, feito com uma lata de tinta.

Mas, como a água não é potável,confessa que, às vezes, é preciso sacrificar o leite das crianças, para matar a sede da família. O mesmo peso no bolso sente o morador da Avenida Tupinambá de Castro, Carlos Alberto Xavier, de 57 anos. Ele diz gastar cerca de R$ 122, por mês, na compra de galões de água.

— A que vem do poço não serve para beber ou cozinhar — diz.

Outros 121.463 moradores do município vivem situação semelhante, segundo dados de um relatório do Instituto Trata Brasil sobre saneamento básico.

Em nota, a Cedae informou que toda a Baixada Fluminense terá o serviço de abastecimento de água universalizado nos próximos três anos. As obras estão orçadas em R$3,4 bilhões e já em andamento em toda região. Leia abaixo a nota na íntegra.

Nota da Cedae

“A Baixada Fluminense tem áreas onde o abastecimento é irregular ou realizado através de poços artesianos devido a décadas de crescimento desordenado e ocupação irregular do solo não coibidos pelos poderes municipais.

Além disso, o uso irracional da água por parte daqueles que possuem ligações clandestinas causa flutuações no fornecimento de água em áreas formais de abastecimento da Cedae, principalmente no verão, período em que o consumo de água aumenta em até 30%.

Vale informar que toda a Baixada Fluminense terá o serviço de abastecimento de água universalizado nos próximos três anos com as obras do ‘Programa de Abastecimento de Água para a Baixada Fluminense’, do governo estadual, por meio da Cedae, orçadas em R$3,4 bilhões e já em andamento em toda região.

Esta região será atendida diretamente pelo sistema de abastecimento e tratamento de água de Campos Elíseos. As obras estavam a cargo da Secretaria de Obras, mas devido aos problemas financeiros do estado a Cedae pleiteou a inclusão destas obras no Programa de Obras da Baixada e assumiu a sua complementação em janeiro de 2017, com o objetivo de dar celeridade e funcionalidade ao projeto. A previsão é que o edital da licitação ocorra ainda no primeiro trimestre de 2017, com prazo de execução até o fim do programa (2019).

O valor a ser licitado é de cerca de R$30 milhões, oriundos de recursos próprios da Cedae. As obras consistem na construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) com capacidade para tratar 200 litros por segundo; assentamento de cerca de 2.600 metros de adutora; construção de dois reservatórios; assentamento de aproximadamente 28 quilômetros de rede distribuidora; mais de mil ligações domiciliares e construção de elevatórias.”

Via Extra
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