Como um serial killer passou nove anos despercebido na Baixada Fluminense

NOVA IGUAÇU -  Dois policiais militares instalam Sailson José das Graças em uma cadeira no fundo da sala apertada com as mãos algemad...


NOVA IGUAÇU - Dois policiais militares instalam Sailson José das Graças em uma cadeira no fundo da sala apertada com as mãos algemadas. De camiseta branca, calça azul e chinelo, o uniforme de presidiário, ele permanece impassível enquanto a Promotoria de Justiça lê a denúncia que o caracteriza como um ser violento e perverso. Se alguém o encara, ele encara de volta até o limite de um desviar o olhar do outro. Algumas vezes, abaixa a cabeça, mas o corpo largado na cadeira, as pernas abertas e as imensas mãos relaxadas nas algemas revelam que está à vontade. Parece ausente, mas presta atenção em tudo. Se algum funcionário do Fórum ri, Sailson estica a cabeça para saber o que foi. Na abafada tarde da quarta-­feira, dia 22 de fevereiro, os corredores do Fórum de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, estão lotados de advogados, testemunhas e vítimas de tentativas de homicídio. Entre eles, Bianca dos Reis Cruz espera o juiz chamá-la para falar sobre Sailson.

Dá para perceber que Bianca, de 25 anos, grávida de sete meses de uma menina, carregou na maquiagem para disfarçar cicatrizes no pescoço. Ela entra na sala e senta a 1 metro de distância de Sailson, sem olhar para ele. Meio encoberto pela pilha de processos das várias audiências do dia, o juiz Alexandre Guimarães pergunta se ela teme dar o depoimento na frente do acusado. Bianca diz que sim. Os policiais retiram Sailson, que sai contrariado. Bianca fala sobre a madrugada de 8 de outubro de 2013, quando acordou com um homem negro e não muito alto ao lado da cama. Ela morava nos fundos da casa da avó, um sobrado de tijolos sem reboco, numa rua de asfalto carcomido e coberto de terra, num quartinho ainda em obras, improvisado para recebê-la depois que ficou sem a pensão alimentícia do pai. O invasor, que entrara pela janela fechada apenas com tapume de plástico, começou a esganá-la. “Sai daqui, sai daqui”, suplicava, quase sem fôlego. A seu lado, na mesma cama, seu primeiro filho, um bebê então com 5 meses, começou a chorar. Levou um golpe de faca no pescoço, por sorte sem profundidade, mas precisaria receber cinco pontos no hospital.

Via Época
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