Família e amigos de pintor morto em Mesquita acusam PMs de forjar auto de resistência

O portão diante do qual Amilton foi atingido Foto: Reprodução MESQUITA -  Amilton Bento dos Santos, de 47 anos, levou uma bala na cabeç...

O portão diante do qual Amilton foi atingido Foto: Reprodução
MESQUITA - Amilton Bento dos Santos, de 47 anos, levou uma bala na cabeça, na manhã da Quarta-feira de Cinzas. Parentes, amigos e moradores do Morro da Coreia, em Mesquita, na Baixada Fluminense, contam que o pintor estava em frente de casa quando teve início um tiroteio — um ponto de venda de drogas opera a cerca de 50 metros do local onde ele foi baleado, enquanto segurava o portão do vizinho para que os três amigos com quem conversava, além de um menino de 6 anos, pudessem entrar e se proteger. A versão dos PMs que registraram a ocorrência, porém, é outra.

Na 52ª DP (Nova Iguaçu), dois agentes do 20º BPM (Mesquita) relataram que Amilton foi alvejado “em confronto”, na localidade conhecida como Travessa da Vala, um “ponto conhecido de tráfico”. Segundo os policiais, ele estava com três homens, “todos armados com pistolas e revólveres”. O bando teria atirado ao avistar os PMs, que, então, “revidaram a injusta agressão”. Mais tarde, foram apreendidos um revólver com numeração raspada, munição, uma réplica de pistola, uma granada de efeito moral e drogas. O caso foi registrado como “homicídio decorrente de intervenção policial”, os chamados autos de resistência.

— Um pessoal (do tráfico) passou direto correndo logo que ouvimos os tiros. O Amilton tentou proteger a gente, mas acabou atingido. Joguei meu filho na varanda e me deitei no chão, e ainda dispararam outras duas vezes na nossa direção — contesta uma testemunha, pedindo para não ser identificada.

A mesma testemunha afirma que uma viatura surgiu em seguida e levou Amilton para o Hospital Geral de Nova Iguaçu. Os amigos teriam tentado acompanhá-lo, mas foram impedidos pelos PMs — “ficaram repetindo que não precisava”, lembra um deles. O pintor já chegou morto à unidade de saúde.

Após a morte, moradores da Coreia iniciaram uma manifestação, ateando fogo em pneus e fechando vias de acesso à comunidade. Até esta quinta-feira, linhas de ônibus continuavam sem circular no interior da favela por conta dos protestos. Amilton será enterrado na manhã desta sexta, às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Edson Passos, no próprio município de Mesquita.

Sem passagem na polícia

Ao longo das quase cinco décadas de vida, o nome de Amilton só aparece em dois registros policiais, ambos como vítima de roubo, em 2007 e em 2009. Nas redes sociais do pintor, que estava desempregado, quase só há postagens sobre três de suas maiores paixões: o Botafogo, a escola de samba Beija-Flor e a família — ele era casado e tinha dois filhos, de 10 e de 25 anos.

— Meu pai era nascido e criado na Coreia, mas nunca fez nada de errado. Todo mundo aqui sabe disso. Os PMs erraram e não foram homens de assumir — desabafou Anderson Bento dos Santos.

Nesta quinta-feira, o EXTRA tentou contato diversas vezes, todas sem sucesso, com o comando do 20º BPM. Por nota, a assessoria da Polícia Militar apenas confirmou a versão que os policiais contaram na delegacia.

Já o delegado Leandro Aquino da Silva, titular da 52ª DP, informou que, até o momento, ninguém procurou a polícia para contestar formalmente a versão oferecida pelos policiais envolvidos na ocorrência. As investigações, porém, ficarão a cargo da 53ª DP (Mesquita), responsável pela região da Coreia.

Via Extra
Por Luã Marinatto
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