Ambulantes de Nova Iguaçu dizem que foram impedidos de vender por agentes de segurança

NOVA IGUAÇU -  Há 20 anos, Antônio Aristomes Mesquita, de 71, trabalha vendendo doces em uma barraquinha, próximo à estação de Nova Igu...


NOVA IGUAÇU - Há 20 anos, Antônio Aristomes Mesquita, de 71, trabalha vendendo doces em uma barraquinha, próximo à estação de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele diz que no último sábado perdeu cerca de R$ 100, porque foi impedido de trabalhar.

— Chegaram mandando recolher. Achei estranho. Fiz meu cadastro em 21 de julho de 2007 — lamenta o idoso, que complementa a aposentadoria com a venda de doces.
Manifestantes interditaram parte da rua da prefeitura 
Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
Além dele, dezenas de outros vendedores relataram que foram obrigados a parar de trabalhar no último sábado. Segundo os camelôs, que atuam no calçadão de Nova Iguaçu, agentes da prefeitura começaram a retirá-los por volta das 14h. Nesta segunda-feira, eles fizeram um protesto em frente à sede do governo municipal, cobrando explicações do poder público.

— Há anos nós podemos trabalhar de segunda a sexta, depois das 19h, e aos sábados, a partir das 14h. No último sábado, assim que os agentes da Ordem Púbica liberaram, começamos a trabalhar. Logo depois, chegaram agentes da Segurança. Não quiseram ver nota fiscal, nada — ressalta Carlos Augusto Silva do Nascimento, de 25 anos, que trabalha no calçadão como vendedor informal há dez anos.

Há 22 anos, Josué Alonso de Almeida, de 51, vende salgados no mesmo ponto do calçadão com a mulher. Ele conta que por pouco não teve a mercadoria apreendida:

— Chegaram dizendo que iam recolher tudo se a gente não desmontasse. Não ia colocar em risco a minha mulher. Comecei a fechar tudo, eles voltaram e disseram que iam apreender se eu demorasse.

Os camelôs contam que, desde janeiro, estão num processo de legalização com a Ordem Pública. Mas que tinham permissão para trabalhar nos horários determinados.

— Na sexta, o prefeito nos recebeu e disse que poderíamos trabalhar sábado. E os agentes chegaram da pior forma possível. Foi abuso de poder — lamenta a vendedora de artesanato Thaís Brito, de 25 anos.

Município faz cadastro

Em nota, a Prefeitura de Nova Iguaçu esclareceu que está cadastrando os camelôs para que eles atuem legalizados na cidade. Explicou ainda que eles trabalharão em barracas padronizadas e com crachás de identificação.

Sobre a reunião com o prefeito Rogério Lisboa, na última sexta-feira, citada pelos vendedores informais, a prefeitura afirmou que ficou acertado que eles, enquanto passam pelo processo de legalização, poderiam trabalhar no calçadão, após às 19h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados após o fechamento das lojas, “o que não ocorreu”.

O governo municipal não comentou sobre a agressividade dos agentes de segurança, no último sábado, relatada pelos camelôs.

Na nota, a prefeitura reafirmou ainda “o compromisso de trabalhar em prol da mobilidade e ordenamento da cidade e visando ao bem-estar da população”.

Via Extra
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