Sobrecarga na Maternidade Mariana Bulhões, em Nova Iguaçu

NOVA IGUAÇU - A jovem Flávia Eduarda de Oliveira Santos, de 18 anos, mora em Queimados, mas queria ganhar seu bebê no Hospita...


NOVA IGUAÇU - A jovem Flávia Eduarda de Oliveira Santos, de 18 anos, mora em Queimados, mas queria ganhar seu bebê no Hospital da Mãe, em Mesquita. Os planos da professora Isabela de Souza, de 25 anos, eram de dar à luz em sua cidade, Belford Roxo. Mas os filhos de Flávia e Isabela nasceram na Maternidade Municipal Mariana Bulhões, em Nova Iguaçu.

Elas são moradoras das cidades da Baixada que mais mandam pacientes para a unidade de Nova Iguaçu. Só no primeiro trimestre de 2017, a maternidade de Nova Iguaçu atendeu 6.248 pacientes. Destas, 2.368 eram de outros municípios. Foram 500 gestantes de Queimados e 469 de Belford Roxo atendidas na unidade. As cidades só perdem para a do Rio, que mandou 699 pacientes.

— Dois dias antes, passei mal e fui para o Hospital da Mãe. Estava muito cheio. Fui atendida, a médica fez o toque, mas fui liberada. Dois dias depois, comecei a perder líquido de madrugada. Aí preferi vir ao Mariana. Minha filha nasceu na sala de pré-parto e eu fiquei lá até de tarde, quando liberou vaga na enfermaria — lembra Flávia Eduarda, mãe da pequena Maria Sophia, que ficou numa poltrona na enfermaria.

Com o aumento no atendimento, a maternidade, que conta com 80 leitos maternos e 30 neonatais, está sobrecarregada, funcionando com 130% de taxa de ocupação.

O lugar onde teria seu filho era uma preocupação para Isabela desde que o marido perdeu o emprego e, consequentemente, o plano de saúde, a um mês do parto:

— Fiz o pré-natal no particular, mas estava com medo de ir para a maternidade e voltar para casa sem atendimento. Mesmo não sendo da cidade, fui bem atendida.

VERBAS

70% DA UNIÃO Segundo a prefeitura, a maternidade tem 70% dos seus recursos vindos da União, 15% do Estado e 15% do município. Os recursos são para o Complexo Hospitalar de Nova Iguaçu, que também engloba o Hospital da Posse. R$ 6 MILHÕES Segundo a prefeitura, a União deveria repassar à maternidade R$ 14 milhões, mas repassa R$ 6, 3 milhões. Sobre o estado, município disse que deveria repassar R$ 1,5 milhão, mas a dívida com atraso já está em cerca de R$ 37 milhões. A Secretaria estadual de Saúde diz que, para regularizar a dívida, aguarda repasses federais de R$ 194 milhões. Segundo o estado, os atrasos nos repasses para a unidade ocorrem desde 2014 e, em 2016, mesmo assim, foram pagos seis meses de cofinanciamento. R$ 12 MILHÕES Valor que o governo federal disse, em abril, que repassa todo mês para o hospital.

Faltam unidades

Além de Nova Iguaçu, só há maternidade nos seguintes municípios da Baixada Fluminense: Duque de Caxias, Mesquita, São João de Meriti, Seropédica, Magé, Itaguaí, e Guapimirim. Nas outras cidades, as unidades públicas foram fechadas e as particulares deixaram de atender pelo convênio com o SUS.

A unidade hoje está recebendo 156 internações. Embora haja vagas para 80 leitos maternos e 30 neonatais, há 121 pacientes em leitos maternos e 35 neonatais.

Para Nilson Gomes, coordenador da Maternidade Mariana Bulhões, a falta de maternidades em municípios da região não só sobrecarrega a unidade como compromete a comodidade dos pacientes:

— Em janeiro, foram 309 procedimentos obstétricos; em fevereiro, 708; e, em março, 833. Com esse número de atendimento, o que estava previsto para ser consumido em dez dias é consumido em seis ou sete.

O prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, teme que a situação da superlotação se agrave ainda mais:

— Sem atualização de repasses, a situação tende a piorar, pois Nova Iguaçu está atendendo a toda a região sozinha.


Via Extra
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